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  • Porque homens conduzem e mulheres seguem?

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    Rita Morais

    O tema de papeis pre-definidos pelo género, responsabilidade partilhada, condução partilhada e do feminismo no forró tem ganho popularidade nos últimos anos, acompanhando a onda de feminismo que se tem (felizmente) espalhado em todas as áreas da nossa sociedade e estruturas organizacionais.

     

    Vemos cada vez mais mulheres a conduzir na dança, mas ainda estamos para ver mulheres cujo papel principal (e inicial) é o de condutor e vice-versa.

     

    Porquê?

    Isto apresenta um problema?

    Será que é apenas a ordem “natural” das coisas com a qual não devemos interferir?

     

    Há muitas opiniões diferentes sobre este tópico e mesmo enquanto tentava escrever este post, achei difícil definir concretamente os pontos em que acredito e acho relevantes. O que tenho 100% a certeza é que estes tópicos têm que ser discutidos. Assumir que a maneira como as coisas sempre foram é a correcta nunca nos levou muito longe.

    Por isso, vamos lá tentar!

     

    Porque a mudança é importante

    Vamos começar por uma pergunta muito importante: Todos nós amamos o forró, certo? Então, porquê mudá-lo?

    Homens e mulheres são intrinsecamente diferentes, nós pensamos de forma diferente, agimos e sentimos de forma diferente. Encorajar mais homens/mulheres nos papeis “opostos” trará inevitavelmente as condições ideais para mais experimentação e evolução da dança. Precisaríamos, com certeza, de bastante tempo até esta atitude se generalizar – um mundo em que a dança não implique papéis pre-definidos. Isto causará uma grande confusão no início? SIM! Valerá a pena? SUPER SIM!

     

    Porque os homens conduzem e as mulheres seguem – Quebrando preconceitos

    Os homens são mais altos

    é verdade que é mais fácil conduzir uma pessoa mais baixa, mas, então seria a altura o critério para decidir quem conduz e quem segue? Uma boa parte dos melhores condutores europeus seriam rapidamente excluídos do seu papel. O objetivo de um bom condutor/conduzido é adaptar-se ao corpo do outro.

     

    Os homens são mais fortes

    o forró, no geral, não é uma dança acrobática, excluindo alguns raros aéreos. Um bom par consegue encontrar um equilíbrio de contacto, presença e dinâmicas onde não há necessidade de utilizar força física, zero, jamais – isto deveria ser ensinado em todas as aulas (tanto o lado dos condutores, de desenharem e não forçarem, como o dos conduzidos, de tomarem responsabilidade pelo seu próprio movimento)

     

    Uma pessoa tem que se especializar num papel

    isto tem um lado de verdade, nem toda a gente tem todo o tempo do mundo para se dedicar a aperfeiçoar a sua dança favorita, mas, mesmo assim, porque não especializar-se no papel “oposto”?

     

    As mulheres aprendem a conduzir por necessidade

    existe esta linha de pensamento bastante perigosa de “os homens aprenderem a seguir para desenvolverem a sua dança” enquanto que “as mulheres aprendem a conduzir porque não há condutores suficientes” – embora essa possa ter sido a razão para algumas mulheres terem começado a conduzir, isto não representa a maioria e reduz as mulheres a não serem capazes de mostrar interesse em todas as partes da dança (tal como os homens)

     

    É natural os homens preferirem conduzir e as mulheres a seguir

    agora é que as coisas ficam interessantes. Podemos desenvolver uma dissertação de 20 páginas sobre o que é natural versus o que é cultural/aprendido/imposto/esperado, mas acho que o único argumento que interessa aqui é: para os que realmente preferem o seu papel “natural”, devem poder fazê-lo, e para os outros que prefeririam começar e dedicar-se somente ao “anti-natural” deveriam poder também fazê-lo, com facilidade e sem julgamento

     

    E é a esta conclusão que acabo sempre por chegar, dando as voltas que der, questionando e revendo as minhas opiniões:

    Uma pessoa deveria poder escolher desde o início o papel que quer fazer – sem ter uma pequena vozinha que diz “és homem? então é melhor conduzir! Vais ser considerado fraco ou menos atraente para as mulheres se seguires”, “és mulher? então é melhor seguires, confia! vais preferir relaxar e deixares-te ir na dança”.

    É difícil, claro, apagar décadas, séculos de uma noção que força e poder = condução, quando, na dança, estão os dois a tentar atingir o mesmo objectivo: uma dança maravilhosa.

    O conduzir e o seguir não deveria ser um jogo de poder. Afinal, como dizemos aqui no Xiado, qualquer pessoa deve poder “Ser quem quiser na pista de dança”.

     

    Se partilhas da nossa opinião, como podes ajudar?

    Na sala de aula/workshop

    • Perguntar às pessoas que vêm pela primeira vez que papel querem fazer e não assumir um papel baseado no género da pessoa. Nós começámos a fazer isto nas nossas aulas e de todas as vezes eu vi uma expressão de pura surpresa.. “eu.. posso escolher?” Mas é claro que sim! A maioria das pessoas acaba por escolher o seu papel “natural” mas pelo menos sente-se bem-vindo a explorar o “outro lado do espelho”
    • Perguntar aos participantes dos workshops que papel têm e não pressionar a mudar caso os números estejam desequilibrados. Vêem-se cada vez mais dançarinos “trocando” de papel nos workshops, o que é ótimo, e também pessoas que aceitam a diferença de papeis independentemente do género. No entanto, quando os números estão desequilibrados as mulheres tendem a voltar a assumir o papel inicial “para ajudar no workshop”, mesmo que o nível não seja o adequado (normalmente mais baixo). Para mim isto significa que sentem ainda que a sua presença é menos importante do que a dos homens, num workshop.
    • Fazer os alunos trocarem de papeis frequentemente – é inegável que quando trocamos para o papel menos desenvolvido, quase sempre atingimos um momento de clareza, seja “oh meu deus é tão difícil seguir” ou “wow é muito cansativo receber o peso todo de um conduzido”, a troca sempre traz novas descobertas
      • uma ideia: nós descobrimos que fazer condutores dançar com condutores e conduzidas com conduzidas traz melhores resultados. Porquê? Porque se ambos trocarem ao mesmo tempo, ambos estarão no seu papel menos confortável, o que significa que a dança tem poucas chances de correr bem. Se se mantiver um dos elementos no seu papel principal, o outro poderá experienciar todo o potencial da troca. Faz sentido?
    • Utilizar os termos: condutor/conduzido (ou uma versão destes) e não homens/mulheres, meninas,meninos etc. – fácil, né?

     

    Na pista de dança

    • ter uma mente aberta – isto pode ser representado de várias formas
      • nunca interromper uma dança do mesmo género ou começar a falar como se a dança não interessasse tanto como uma “tradicional”
      • não fazer troça de casais do mesmo género ou género trocado – eu vejo isto acontecer constantemente com xotes homem com homem quando têm audiência. A maioria das vezes ouvem-se comentários do tipo: “uhhh tão sexy! Dá-lhe um beijo! Faz isto, faz aquilo” – eu acho esta atitude fascinante, contudo, para a analisar, teríamos que entrar num campo muito mais profundo de masculinidade tóxica, homofobia suave, medo de se sentir menos homem, etc etc – mas vamos deixar este tópico para outro post mais… político
    •    não mudar a forma de dançar – todos reagimos de forma diferente a cada par com quem dançamos, mas, muitas vezes, as danças do mesmo género ou opostos caem num modo de “prática”, ou um dos membros não se entrega à dança da mesma forma, provavelmente por estar menos confortável nessa posição. Ninguém é obrigado a dançar com ninguém, mas se aceitar uma dança “trocada” não será mais interessante se entregar?
    • Experimentar e arriscar – a maioria dos melhores dançarinos com quem dancei têm sempre bastante conhecimento do “lado oposto”, é incrivelmente desafiador e gratificante conseguir trocar e escolher em que música/altura queremos seguir ou conduzir

     

    Digam-nos o que acham! Concordam com estes pontos? Têm outros a adicionar?

     

    Dêem uma olhada nesses projectos que tocam bastantes destes pontos:

    https://www.facebook.com/dancadesalaocontemporanea/

    https://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/abrace/article/view/3999/4099

     

     

     

     

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